Pour une psychanalyse irrévérente

Paulo Sérgio de Souza

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Abstract :
National audience
The establishment of an unthought object goes through its non-subsumption to any domain, and this seems to go along with the foundation of something that does not recognize, in what already exists, a place that belongs to it by right. This is the case with the dissonance between psychoanalysis and its engagement in listening what is dissonant. In this sense, the irreverence toward the masters is part of the spirit of the Freudian invention — as long as it has absolutely to do with the irreverence of the unconscious that commands the theory. However, sometimes it is difficult to follow Freud’s task of unveiling provocative things about the psychic, especially in a way that is in itself provocative. At present what can be seen in Brazil is a wave whose driver is precisely that insubordination toward some centralities formed throughout the history of psychoanalysis.
La constitution d’un objet impensé passe par sa non-subsomption à n’importe quel domaine, ce qui semble se doubler de la fondation de quelque chose qui ne se reconnaît pas, dans ce qui existe déjà, une place lui appartenant de droit. C’est le cas de la psychanalyse et de son engagement d’écoute du dissonant. L’irrévérence envers les maîtres, en ce sens, fait partie de l’esprit de l’invention de Freud, ne serait-ce que parce que, bien entendu, ce qui commande sa théorie est justement l’inconscient. Pourtant, il est parfois pénible de reprendre la tâche freudienne, de retrouver ce qu’il y a de taquin par rapport au psychique, notamment d’une façon qui soit, elle aussi, taquine. Il se peut que le Brésil soit le témoin, aujourd’hui, d’une vague dont le ressort est bien cette insoumission à quelques centralités constituées au long de l’histoire de la psychanalyse.
A constituição de um objeto impensado passa pela sua não subsunção a todo e qualquer domínio, o que parece se dar em conjunto com a fundação de algo que não reconhece para si, naquilo que já existe, um lugar que lhe seja de direito. É o caso da psicanálise e do seu compromisso com a escuta do dissonante. A irreverência para com os mestres, nesse sentido, faz parte do espírito da invenção de Freud, na medida em que, na melhor das hipóteses, o que comanda a sua teoria é justamente o inconsciente. No entanto, às vezes é custoso retomar a tarefa freudiana de encontrar o que há de provocador com relação ao psíquico, especialmente de uma forma que seja, ela própria, provocante. Talvez o Brasil esteja sendo testemunha, hoje, de uma onda cujo mote seja bem essa insubmissão a algumas centralidades constituídas ao longo da história da psicanálise.
Published : 2015-12
Document Type : Journal articles
Affiliation : Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Citation

Paulo Sérgio de Souza, « Pour une psychanalyse irrévérente », Oxymoron, 2015-12. URL : https://hal.archives-ouvertes.fr/hal-03651502